
INTRODUÇÃO
Na lição de hoje, estudaremos o cap. 20 do livro de Josué.
Deus
livrou o seu povo da escravidão do Egito e os conduziu à Canaã.
Estabeleceu leis que guiariam o povo em suas diversas relações. Entre
essas leis estava a “Lei de Talião” (Lei antiga pela qual se vingava o
crime aplicando ao culpado o mesmo mal que ele praticara, conf. Ex
21.23-25), ou seja, se alguém cometesse homicídio, era lhe imputado a
pena de morte. Mas se alguém matasse sem intenção, para esse tal, Deus
estabeleceu as cidades refúgio. Nessas cidades, o acusado estaria seguro
da Lei de Talião, até provar sua inocência, ou até a morte do sumo
sacerdote (Nm 35.28). Tinha um sentido figurado na pessoa de nosso
Senhor Jesus Cristo, e é o que veremos agora.
AS CIDADES DE REFÚGIO
Em
Israel haviam seis cidades levíticas destinadas a servir de refúgio
àqueles que acidentalmente cometiam homicídio, a fim de escaparem à
vingança do sangue derramado (Nm 35.9-14; Ex 21.13).
Moisés designou três ao oriente do Jordão:
a) Bezer, no território de Rúben;
b) Ramote de Galaade, no território de Gade;
c) Golã, em Basã, no território de Manasses (ver Dt 4.41-13).
Depois da conquista de Canaã, Josué e os chefes das tribos, designaram as outras três cidades a oeste do rio:
d) Quedes, no território de Naftali;
e) Siquém, em Efraim;
f) Quiriate-Arba, que é em Hebrom, nas montanhas de Judá (ver Js 20.7).
Nenhuma
parte da Palestina está longe demais de uma cidade de refúgio. O
homicida refugiava-se na que lhe estava mais perto. Poderia ser
alcançado e morto pelo vingador, mas se conseguisse chegar a uma cidade
refúgio, era ali acolhido e tinha o direito à defesa. Se no julgamento
ficasse provado que o homicídio foi voluntário, era entregue à morte.
Se, porém, ficasse provado que matou em legítima defesa, ou por
acidente, então a cidade lhe oferecia asilo. Se ele deixasse a cidade,
antes do falecimento do sumo pontífice, o risco corria por sua conta.
Depois da morte do sumo pontífice, era lhe facultado regressar à sua
casa sob a proteção das autoridades (Nm 35; Dt 19; Js 20).
O QUE ERAM AS CIDADES REFÚGIO?
As
cidades de refúgio representavam, em linguagem jurídica atual, um
"habeas corpus" a favor do criminoso não culpado, ou cujo crime não
tivesse sido apurado adequadamente. Em caso de homicídio, pela lei,
caberia ao parente mais próximo do falecido a responsabilidade de
aplicar a "Lei de Talião" ao homicida, e isto poderia ser feito a
qualquer hora e em qualquer lugar, exceto na cidade de refúgio, onde o
homicida que não matara intencionalmente poderia aguardar seu julgamento
em segurança. (Nm 35.11,12)
O refugiado não poderia sair da
cidade. Se o fizesse, correria por sua conta o que acontecesse, pois o
vingador o apanharia, e não haveria apelo para ele. A cidade de refúgio
protegia tanto aos filhos de Israel quanto ao estrangeiro (Nm 35.15) e
representava para o homicida perseguido e fugitivo, segurança e descanso
ao mesmo tempo, tornando-se assim, um tipo perfeito de Jesus o Messias,
que recebe todos quantos tiverem acesso a Ele (Jo 6.37) uma figura
expressiva de Jesus Cristo, nosso Salvador. Somente estando em Jesus
Cristo, o refúgio, o pecador estará para sempre livre da sentença
mortífera do pecado (João 5.24).
As cidades de refúgio eram bem
fortificadas e muradas, com portas nas extremidades, que podiam ser
fechadas para impedir a chegada do vingador.
A LOCALIZAÇÃO E OS SIGNIFICADOS DAS CIDADES
As
cidades de refúgio estavam situadas da seguinte forma: três cidades a
oriente e três a ocidente, do lado do Jordão, estavam geograficamente
bem distribuídas. Estas cidades eram parte da herança levítica de 48
cidades (Nm 35.6) e, portanto, administradas pelos levitas. Segundo
determinação do Altíssimo, haveria seis cidades de refúgio (Ex 35.13; Dt
19.2,7), três de cada lado do Jordão (Ex 35.14).
Moisés escolheu as três primeiras (Dt 4.41-43; Js 20.8):
BEZER - Fortaleza- Situada no deserto, na terra plana, território de Rubén (Sudeste) Dt 4.43; Js 10.8.
- Significa "fortaleza", e aparece apenas cinco vezes na Bíblia.
- Jesus Cristo é a fortaleza de todos os que nele confiam (SL 43.2; Is 52.1; 2 Tm 1.7)
RAMOTE – Altura ou Exaltado
- Situada em Gileade, território de Gade (Leste) Dt 4:43;
- Significa lugar de refúgio para os humilhados
-
Jesus Cristo é a principal autoridade universal, superior a todos os
nomes que possam ser mencionados agora e por toda a eternidade (Fl 2.9);
GOLÃ – Gozo ou Exilo
- Situada em Basã, território de Manasses (Nordeste) (Js 20:8);
- Significa lugar de refúgio para os tristes;
-
Jesus foi rejeitado pelo mundo (Jo 1.10); por sua própria nação (Jo
1.21); pelo seu próprio país (Mc 6.4); por sua própria cidade (Lc 4.29);
por seus próprios familiares (Jo 7.5); pelos escribas, sumo sacerdotes e
anciãos (Lc 9.12) e pelos seus próprios seguidores (Mc 14:71).
Josué escolheu as outras três cidades (Js 20.7)
QUEDES (OU CADES) – Lugar Santo- Situada na região da Galiléia, território de Naftali (Norte) Js 20.7;
- Significa santificação para o impuro, ou refugio para os impuros (Ap 3.7);
- Jesus possuía natureza santa (Jo 8.46). Ele é a santidade requerida aos fiéis ( 1Pe 1.16 )
SIQUÉM – Ombro
- Situada na montanha, território de Efraim (Centro-oeste, cerca de 70 Km ao Norte de Jerusalém) Js 20:7;
- Significa lugar para o cansado, ou refúgio para o cansado (Mt 11.28);
HEBROM – Comunhão
- Situada na montanha, território de Judá (Sul-sudeste) (Js 20:7);
- Significa união, companhia, camaradagem, ou seja, lugar de comunhão;
-
Esta cidade de refugio é um tipo de Jesus Cristo como o nosso melhor
amigo e companheiro (Lc 7.34; Jo 11.1; Jo 15.13,15; Sl 27.10).
SEGURANÇA NA CIDADE
Todo
hebreu sabia que, caso matasse alguém sem intenção de fazê-lo, o único
lugar onde poderia estar seguro seria numa cidade de refugio.
Entretanto, os levitas, que as administravam, só lhes davam abrigo, uma
vez satisfeitas algumas exigências que deveriam ser observadas antes,
durante e após o asilo.
Se algum homicida caísse nas mãos do vingador, não era por falta de um refugio, mas porque não tinha se utilizado dele.
Uma
vez cruzada a porta, o homicida estava seguro e ninguém o tocava dentro
dos limites da cidade. Mas ele deveria ter cuidado para não sair pra
fora da porta.
Ele não podia visitar seus amigos e parentes. Anelava a
morte do sumo sacerdote, única forma de restituir-se à sua herança e
seu povo.
Muitos textos da Bíblia falam do Senhor como nosso refúgio
(Sl 46.1; 2Sm 22.3; Sl 9.9; 14.6; 18.2; 59.16; 61.3; 62.8; Jr 17.17; Jl
3.16; Hb 6.18), Ele é apresentado metaforicamente como sendo um "lugar
de refugio", "lugar de proteção" e "esconderijo".
A DURAÇÃO DO REFÚGIO
Um
assassino não podia comprar a vida por dinheiro, assim também o
homicida não podia comprar a sua liberdade. Ambos haviam concebido a
morte de um ser humano e só a morte de um homem podia fazer a expiação
pela morte. O sumo sacerdote de Israel prefigurava o ministério
sacerdotal de Jesus (Hb 4.9). Com a morte do Ungido, o sumo sacerdote,
podemos voltar à vida de pureza espiritual e não temer as acusações de
satã.
Pela lei, a reclusão na cidade de refugio estava condicionada a
morte do sumo sacerdote (Nm35.25), quando e somente então o homicida
poderia deixar o asilo sem perder a proteção legal. Se o vingador do
sangue o ferisse depois da morte do sumo sacerdote, cometeria homicídio
doloso e seria punido com a morte.
CONCLUSÃO
A
cidade era o único refúgio possível contra o vingador do sangue, assim
como JESUS é o único refúgio possível contra as conseqüências dos nossos
pecados (Rm 7.11; 6.23; Jo 3.15). A morte do sumo sacerdote era a
condição necessária para a liberdade, que é um tipo claro da liberdade
proporcionada pela morte de Jesus (Hb 4:15; 5:9) Então Jesus Cristo é a
nossa cidade de refúgio.
Fontes:
J. Davis - http://www.cacp.org.br/estudos/artigo.aspx?lng=PT-BR&article=1117&menu=7&submenu=3
http://www.geocities.com/
http://www.esgm.org/portugues/pena_de_vida.dochttp://br.geocities.com/roberio33/cidades.htm